Economia, Oliveira de Azeméis

Sector dos moldes quer fugir da dependência da indústria automóvel – Oliveira de Azeméis

O sector dos moldes quer diminuir a sua dependência em relação à indústria automóvel, diversificando produtos para fugir às oscilações deste mercado, que tem sofrido várias deslocalizações.

O presidente da Cefamol (Associação Nacional da Indústria de Moldes), Leonel Costa, quer consolidar aquilo que denomina como cluster “Engineering and Tooling”, tornando-o autónomo de outras cadeias de produção, nomeadamente da área automóvel.

“O sector automóvel não pode ser o nosso único mercado” pelo que a aposta deve ser na “diversificação da produção”, sustentou Leonel Costa, que defende a criação de uma rede que inclua empresários, escolas profissionais, politécnicos, autarquias e centros de formação.

Esta rede, organizada sob a forma de uma associação, deve procurar o reconhecimento do cluster por outros parceiros e promover a aposta na engenharia de precisão e noutras valências.

Os moldes servem para fazer peças mas para fazer os moldes existe “todo um conhecimento de produção e precisão” que pode ser aplicado noutras áreas, defendeu Leonel Costa.

Na sua opinião, “a indústria não se pode esgotar apenas no conhecimento tácito do fabrico do molde” porque o sector permite a “criação de mais-valias se entrar noutras actividades industriais onde a micro-maquinação e a maquinação de alta precisão tenham um papel importante”.

Recentemente foi aprovado o Plano Estratégico para o sector dos Moldes e Ferramentas, uma iniciativa que tem um horizonte temporal de dez anos e destaca como oportunidades de negócio sectores como a energia, ambiente e medicina, nomeadamente em ferramentas especiais e peças maquinadas de alta precisão.

As empresas portuguesas devem aproveitar a deslocalização dos seus clientes, acompanhando-os na procura de novos mercados, refere o estudo, desenvolvido por Mira Amara.

Para que o sector em Portugal seja “reconhecido mundialmente como um dos mais avançados do ponto de vista tecnológico e da oferta de valor acrescentado”, as empresas devem integrar a produção de moldes “numa cadeia alargada de serviços de engenharia de alto conteúdo tecnológico”, apostando ainda no desenvolvimento de “ferramentas especiais e peças maquinadas de alta precisão”.

Para isso, será necessário investir na investigação, aumentar a complexidade técnica dos produtos, apostar em novos mercados e reforçar as parcerias com universidades e politécnicos, propõe o estudo.

O sector “tem condições únicas para se afirmar como um exemplo de reposicionamento estratégico em face dos novos paradigmas da competição global” e poderá ainda funcionar como um “motor a todo um conjunto de novas empresas nacionais de base tecnológica” que apostem em “produtos inovadores em diversos mercados globais”.

Implantado há mais de 50 anos, o sector dos moldes em Portugal envolve 536 empresas com um total de mais de oito mil trabalhadores, para uma produção total de 373 milhões de euros.

O sector automóvel representa 72 por cento de uma indústria que exporta 90 por cento da sua produção, principalmente para a Europa, Estados Unidos e Canadá.

As empresas de moldes estão implantadas na Marinha Grande e Oliveira de Azeméis, zonas onde nasceram as primeiras fábricas de vidro do país.

Depois, o crescimento do sector dos plásticos provocou o aumento da produção que se tem diversificado por áreas mais diferenciadas, abastecendo clientes internacionais ligados ao mercado automóvel, energias renováveis ou aeronáutica.

Agora, coloca-se o problema da sucessão das empresas de moldes, até porque os fundadores estão a passar o testemunho, uma situação que, em muitos casos, pode ser dramática para o futuro das unidades fabris.

“As empresas não vão acabar por causa das gerações mais novas”, mas “é necessário profissionalizar a gestão” para manter o dinamismo empresarial, alertou o presidente da Cefamol.

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