Economia, Oliveira de Azeméis

Concorrência dos moldes chineses levou produção de brinquedos – Oliveira de Azeméis

A concorrência dos moldes chineses retirou de Portugal a produção para brinquedos, mas vocacionou o país para sectores tecnológicos mais avançados como a indústria aeronáutica ou automóvel, reconheceram empresários do sector.

Nos últimos anos, a indústria de moldes portuguesa tem sofrido danos causados pela concorrência chinesa, mas os empresários acreditam que isso permitiu uma readaptação a outros sectores tecnológicos de ponta.

Por outro lado, esta tendência está a mudar até porque são muitos os clientes que voltam ao país devido à falta de qualidade da produção nos países com mão-de-obra mais barata, mas menos qualificada.

“Os moldes portugueses são caros hoje em dia em comparação com a China”, mas “temos uma qualidade que é de longe acima da média, ao nível do que de melhor se faz no mundo”, afirmou o presidente da Cefamol (Associação Nacional da Indústria de Moldes).

No seu entender, as empresas portuguesas têm-se adaptado a este novo mercado global, provando a sua competitividade através de ganhos de produtividade e inovação em vez dos baixos salários.

“Tivemos a capacidade de substituir uma indústria que servia os brinquedos, máquinas de café e aspiradores para trabalhar com o sector automóvel e aeronáutica”, explicou Leonel Costa, que defende uma nova “campanha de imagem e de promoção” na Europa para que “os clientes europeus conheçam o que se faz em Portugal”.

Apesar dos vários contactos comerciais existentes, “há a necessidade de difundir mais a indústria portuguesa dos moldes na Europa”, admitiu este dirigente associativo, que não teme a concorrência asiática.

“Todos os países emergentes serão sempre ameaças quando iniciam novas actividades em qualquer mercado e, no início, foram bastante penalizadores para a indústria portuguesa e europeia porque o rendimento do capital é aquilo que mais preocupa os clientes”, recorda o empresário.

No entanto, os “ganhos de produtividade nos moldes portugueses permitiram minimizar a diferença de custo que existia” e, em muitos casos, “os clientes já se arrependeram de optar pela China porque existem efectivas diferenças de qualidade” nas peças, acrescentou o presidente da Cefamol.

A durabilidade dos moldes e a sua capacidade de adaptação são dois factores, em muitos casos, mais decisivos do que o preço final até porque este custo acaba por ser residual dentro da estrutura de produção de peças de plástico ou noutro material.

Opiniões semelhantes têm outros empresários que já são mais optimistas em relação ao futuro, relativizando a concorrência estrangeira e asiática.

Henrique Neto, administrador do Grupo Iberomoldes, é um deles e rejeita vir a construir fábricas de moldes na China, preferindo investir somente em contactos comerciais para aproveitar algumas das coisas que lá se fazem.

Na China, há “um milhão de fábricas de moldes e nós íamos fazer um milhão e uma para quê?”, questionou Henrique Neto.

Por isso, a aposta da Iberomoldes foi instalar aí um escritório que faz encomendas para os seus clientes de moldes menos exigentes.

Já Telmo Ferraz, da Planimolde (Marinha Grande), defende que os “empresários têm de encontrar soluções integradas” até porque o preço dos moldes vendidos é “mais baixo do que no passado”.

Agora, as empresas “vão sobrevivendo porque aumentaram e diversificaram a produção”, explicou este responsável.

Por seu turno, Luís Pinheiro, da Moldoplástico (Oliveira de Azeméis), recorda que esta concorrência dos moldes chineses é também favorecida pela depreciação do dólar face ao euro, dificultando a entrada em mercados como os Estados Unidos ou a América Latina.

“Como a moeda chinesa está indexada ao dólar o custo de produção ainda é menor”, salientou, embora esta pressão da concorrência tem vindo a diminuir.

“Portugal é ainda uma aldeia de excelência” nos moldes, e os clientes “reconhecem isso” optando pelo nosso país quando se tratam de produtos inovadores.

Fernando Vicente, da SOMEMA (Marinha Grande), vai mais longe e embora seja “incontornável o valor da China” Portugal deve “apostar em produtos diferenciadores”, promovendo a ligação com a investigação académica.

“Já se funciona muito bem a interligação com as universidades” e hoje “Portugal tem bons engenheiros no mercado” que podem levar o país a ser um “exemplo de sucesso na resistência” à ofensiva oriental junto dos clientes.

Para isso a formação e qualificação dos quadros é essencial e o Centro Tecnológico da Indústria de Moldes, Ferramentas Especiais e Plásticos (CENTIMFE) tem vindo a afirmar-se como uma referência na adaptação do sector a estas dificuldades.

Para o presidente do CENTIMFE, Joaquim Menezes, “não há crise nenhuma, o que há é um reajustamento da realidade das empresas de moldes” no âmbito da globalização.

Actualmente, assiste-se a “uma certa maturidade do modelo de negócio que está a ser ajustado a uma nova realidade que se prende a deslocalização das empresas”, reconheceu este responsável.

No entanto, “os moldes estão no centro da produção industrial e têm um potencial que é incontornável” pelo que o sector “será sempre decisivo” para a inovação industrial mundial, concluiu.

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