Desporto, Oliveira de Azeméis

“Nacional” de futsal para deficiência cerebral joga-se este sábado – Oliveira de Azeméis

O Campeonato Nacional de futsal para deficiência cerebral realiza-se este sábado em Oliveira de Azeméis.

A competição – a disputar pelas equipas APPC Lisboa, ARDA Porto, FCP e Boavista – joga-se entre as 10:00 e as 12:00 e entre as 15:00 e as 17:00 no pavilhão gimnodesportivo de Ossela.

“Os campeonatos nacionais são importantes porque incentivam a prática generalizada do desporto para as pessoas com paralisia cerebral procurando fazê-lo de forma a estar integrado nas estruturas já existentes do desporto regular”, afirma Joaquim Viegas, presidente da Associação Nacional de Desporto – Paralisia Cerebral (PC-AND), a entidade responsável pelo evento, em parceria com a autarquia.

“Estes eventos favorecem ainda a saúde, as relações inter-pessoais e o bem-estar que são importantes pois permitem a ultrapassar algumas limitações físicas e problemas psico-sociais de aceitação e inclusão”, adianta.

A realização das provas em Oliveira de Azeméis revela, segundo Joaquim Viegas, a aposta da autarquia em “promover e dinamizar secções desportivas para atletas deficientes” e em “garantir as condições logísticas e a aquisição de serviços necessários ao exercício e desenvolvimento da prática desportiva para deficientes junto das escolas e clubes do concelho”.

O dirigente destaca também a criação de “igualdade de oportunidades a um grupo mais desfavorecido de cidadãos, que lhes permite praticar desporto de competição como qualquer outra pessoa”.

O desporto na área da deficiência cerebral tem registado uma evolução quantitativa e qualitativa ainda que Joaquim Viegas considere ter-se dado “uma ligeira quebra” na época transacta no número de inscrições, ligada à escassez de meios que atinge os nossos associados”.

Mesmo assim os êxitos têm sido muitos. Por detrás deles está “muito trabalho dos praticantes, treinadores e auxiliares”, mas também “a organização regular de um quadro competitivo e estágios de preparação, uma gestão criteriosa, muita dedicação e empenho voluntário”.

“Quando em 1982 a APPC foi convidada a participar nos Jogos Mundiais de Desporto para a Paralisia Cerebral em Greve, Dinamarca, estávamos longe de imaginar os mais de 20 anos de sucessos em eventos de âmbito Europeu, Mundial e Paralímpico”, assinala o dirigente da PC-AND.

Relativamente a apoios, o dirigente associativo diz que “as medidas de apoio à alta competição e projectos paralímpicos deverão ser idênticas às dos olímpicos”.

“Também o apoio para enquadramento técnico é manifestamente insuficiente, pelo que não é possível melhorar o essencial na contratação de técnicos nacionais”, afirma Joaquim Viegas alertando para “o facto do pagamento das perdas de vencimento de todos quantos se deslocam em representação nacional ser suportado pela Federação Portuguesa de Desporto para Deficientes sem que o apoio recebido tenha em conta as verbas gastas”.

A PC-AND, com 330 praticantes inscritos, foi criada em 2001, decorrente da Lei de Bases do Sistema Desportivo, da Lei do Financiamento da Actividade Desportiva e da necessidade de melhorar o modelo de organização e gestão.

No âmbito das suas actividades destaca-se acções de formação e de desenvolvimento da prática desportiva, alta competição, incluindo projectos paralímpicos.

“Temos vindo a assegurar um programa de desenvolvimento desportivo com destaque para o boccia, a modalidade que mais se adequa à grande maioria dos desportistas com Paralisia Cerebral”, refere Joaquim Viegas.

“Como consequência dos bons resultados obtidos na alta competição, a PCAND tem integrado os diversos projectos paraolímpicos, nomeadamente Nova Iorque (1984), Seoul (1988), Barcelona (1992), Atlanta (1996), Sydney (2000) e Atenas 2004”, salienta o dirigente.

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