S. João da Madeira, Sociedade

Margarida Pinto Correia “grata” pelo leilão proposto pelo Museu da Chapelaria – S. João da Madeira

Margarida Pinto Correia, administradora-executiva da Fundação do Gil, esteve ontem em S. João da Madeira para apresentar o projecto “Um chapéu por um sorriso”, através do qual diversos estilistas portugueses vão criar um chapéu de autor cuja venda em leilão se destina a angariar receitas para apoiar a actividade dessa instituição.

O projecto é uma iniciativa do Museu da Chapelaria, o único do género na Península Ibérica, e destina-se a assinalar o terceiro aniversário desse equipamento. O leilão está anunciado para uma festa de gala a realizar no próximo dia 27 de Junho e os chapéus a arrematar serão criações de estilistas consagrados como Katty Xiomara, Miguel Vieira, Filipe Faísca e Lidija Kolovrat, e valores emergentes como Pedro Alves, Andreia Prado Marques, Celsus, Jordann Santos, Jorge Costa e Juliana Cerdeira.

As receitas resultantes da iniciativa irão reverter para a Fundação do Gil que, actualmente, reparte a sua actividade por quatro projectos: o apoio social aos hospitais, que motivou o aparecimento da fundação; o Dia do Gil, com actividades de animação semanais em 26 hospitais do país; a Unidade Móvel de Apoio ao Domicílio, para acompanhamento médico de crianças com doenças crónicas; e a Casa do Gil, para acolhimento temporário de crianças necessitadas de cuidados intermédios de saúde.

Margarida Pinto Correia afirma que “tudo isto está em crescendo e necessita desesperadamente de dinheiro”, e acrescenta: “A Fundação não tem fundos de per si e temos que inventar dinheiro todos os dias, pelo que todas as iniciativas da sociedade civil são bem-vindas. O Museu da Chapelaria, ao decidir fazer esta acção, chamando os estilistas a fazerem chapéus cuja venda reverte para nós, é a expressão última da sociedade civil a reagir. É dar-nos credibilidade, é mostrar que estão connosco, que percebem o que estamos a fazer”. E porque o habitual é ser a Fundação a procurar financiamento no exterior, Margarida Pinto Correia aprecia particularmente a iniciativa do Museu: “Eu costumo dizer à boca cheia q sou a maior “crava” do país e que tenho um PhD em cravanço, portanto, quando é a sociedade civil que vem ter connosco, isto é muito bom, é muito grato, é sinal de que estão a acreditar em nós”.

Rui Costa, vice-presidente da autarquia sanjoanense e responsável pela sua actividade cultural, revela os aspectos que estiveram na origem do projecto “Um chapéu por um sorriso”: “Em primeiro lugar, pretende-se divulgar o Museu da Chapelaria e, depois, é também uma forma do próprio Museu e da Câmara Municipal de S. João da Madeira revelarem a sua consciência social através do apoio a um projecto que consideramos muito meritório, no sentido de podermos proporcionar mais alguns sorrisos a algumas crianças”.

A iniciativa tem ainda outra preocupação: “Os criadores dos chapéus deverão ter o cuidado de optar por materiais e modelos que possam ajudar na prevenção do cancro cutâneo e do envelhecimento da pele”. Rui Costa explica que essa perspectiva foi sugerida pelo médico Osvaldo Correia que, enquanto secretário-geral da Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo e membro da Associação de Amigos do Museu da Chapelaria, alertou que “uma em cada seis pessoas vai acabar por ter cancro da pele”. O médico considera, por isso, que “o Museu da Chapelaria pode ser uma voz activa em termos da modernização do chapéu”, acessório que encara como determinante na protecção do rosto contra os raios ultravioleta e cujo estatuto ao nível da prevenção “lhe foi tirado há anos atrás, pateticamente”, e importa “fazer renascer”.

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