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Industriais dos moldes apostam em novos mercados para combater estagnação dos preços

O presidente da Cefamol (Associação Nacional da Indústria de Moldes), Leonel Costa, defendeu uma maior aposta em novos mercados e em novos produtos para combater a estagnação dos preços pagos pelos fornecedores.

Durante a apresentação do Plano Estratégico para o sector dos Moldes e Ferramentas especiais, na Marinha Grande, o presidente da Cefamol apelou aos empresários presentes para que assegurem “factores de sucesso de diferenciação” na economia global.

“Está estagnado o volume de vendas desde 2001”, mas Portugal tem de inverter esta situação, considerou Leonel Costa, que vê no QREN (Quadro de Referência Estratégico Nacional) uma “oportunidade” para o sector.

Além destes fundos comunitários, o líder da Cefamol considera decisivo o “efeito sinergético entre a melhoria da produtividade” e a “capacidade de comercialização” em novos mercados.

O objectivo é criar em Portugal um “pólo industrial de grande qualidade internacional no domínio na micro-precisão”, transformando o país “num centro de excelência da fabricação de moldes”.

O estudo foi apresentado por Mira Amaral, da Sociedade Portuguesa de Investigação (SPI), que recordou a importância do sector, que é um “importante motor das exportações portuguesas de base tecnológica”.

“A importância do sector é transversal, podendo servir de motor a todo um conjunto de novas empresas nacionais de base tecnológica com vista ao desenvolvimento e fabricação de produtos inovadores em diversos mercados globais”, defendeu o ex-ministro de Cavaco Silva.

A crescente pressão dos compradores que “determinam os preços e as condições de fornecimento de forma concertada” e a deslocalização das empresas são as principais ameaças aos moldes nacionais, elencou Mira Amaral, que apontou ainda como questões negativas a descapitalização das empresas e a incapacidade de fornecer “soluções integradas de engenharia” que completem a venda dos moldes.

O objectivo é “tornar Portugal o país de referência a nível mundial do sector”, aumentando a competitividade das empresas e o reforço do valor dos produtos apresentados.

Com um horizonte temporal de dez anos, este plano estratégico destaca como oportunidades de negócio sectores como a energia, ambiente e medicina, nomeadamente em ferramentas especiais e peças maquinadas de alta precisão.

As empresas nacionais devem aproveitar a deslocalização dos seus clientes, acompanhando-os na procura de novos mercados

Para que o sector em Portugal seja “reconhecido mundialmente como um dos mais avançados do ponto de vista tecnológico e da oferta de valor acrescentado”, as empresas devem integrar a produção de moldes “numa cadeia alargada de serviços de engenharia de alto conteúdo tecnológico”, apostando ainda no desenvolvimento de “ferramentas especiais e peças maquinadas de alta precisão”.

Para isso, será necessário investir na investigação, aumentar a complexidade técnica dos produtos, apostar em novos mercados e reforçar as parcerias com universidades e politécnicos, propõe o estudo.

O sector “tem condições únicas para se afirmar como um exemplo de reposicionamento estratégico em face dos novos paradigmas da competição global” e poderá ainda funcionar como um “motor a todo um conjunto de novas empresas nacionais de base tecnológica” que apostem em “produtos inovadores em diversos mercados globais”.

Um dos problemas destacados por Mira Amaral são as “dificuldades inerentes aos sistemas de apoio financeiro” (como a Garantia Mútua), com fundos públicos ou privados, que permitam aliviar a pressão dos prazos de pagamento dilatados.

Com as “condições de pagamento agressivas” impostas pelos clientes, Mira Amaral apela ao Estado para intervir, criando soluções que permitam melhores garantias financeiras aos produtores.

Implantado há mais de 50 anos, o sector dos moldes em Portugal envolve 536 empresas com um total de mais de oito mil trabalhadores, para uma produção total de 373 milhões de euros.

O sector automóvel representa 72 por cento de uma indústria que exporta 90 por cento da sua produção, principalmente para a Europa, Estados Unidos e Canadá.

Presente na cerimónia, o ministro da Economia, Manuel Pinho, considerou que este “é um sector que sabe bem aquilo que quer”, com “visão e capacidade de assumir riscos” na economia global.

Para isso, preparou um “plano muito bem elaborado” e Manuel Pinho mostrou-se “totalmente ao dispor para apoiar um sector de excelência” que “dá uma imagem muito positiva do país no exterior”, acrescentou o ministro, convidado para a cerimónia. 

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